Escrevo de Brasília.
Saí de uma reunião na Esplanada por volta das 18h30 e resolvi ver como estava a manifestação em frente ao Congresso. O espaço é enorme, mas ainda assim as pessoas ocupavam a sua maior parte. Os cartazes à mão, de quando em quando algum coro, mas a maioria estava parada, como que à espera de algo. Esse algo era a invasão do Congresso. Apenas uma minoria de malucos ousava provocar o muro de policiais, mas a turba, apesar dos gritos de "sem violência", "sem vandalismo" ou vaias que surgiam esporadicamente, parecia ter uma complacência silenciosa ou inconsciente com aquilo. Isso me assustou.
Não aguentei e, com os olhos já ardendo pela nuvem de gás que chegava até meus olhos, concluí que não podia permanecer ali. Saí em direção à Esplanada, para notar uma enorme aglomeração em torno do Itamaraty. E o que vi deixou-me ainda mais desgostoso. Um bando que tentava invadir o prédio --para quê?!-- a todo custo e que, em determinado momento, começou a depredá-lo escancaradamente. Cones e pedras atirados contra os vidros que se estilhaçavam, fogo lançado em uma das salas, uma violência desmesurada contra os policiais acuados no interior do Palácio. Para quê? Para quê? Para quê!!!
Tudo muito diferente da bela manifestação que havia acompanhado em São Paulo na segunda. Em Brasília, na ausência de avenidas para o povo protestar, parece que sobrou apenas a invasão de prédios públicos. Prédios que, queiramos ou não, são os símbolos da democracia. Um Congresso Nacional depredado, um Itamaraty em chamas --podemos tolerar essas imagens, que por pouco não se converteram em realidade há algumas horas?
Voltei caminhando para o hotel. Não havia táxis nem ônibus. Pensei que tudo não passava de um episódio que dei azar em testemunhar. Mas bastou ligar a TV para ver que não.
Assim como a sociedade soube reagir à noite de horror promovida pela Polícia Militar em São Paulo há uma semana, é preciso que essa mesma sociedade reaja imediatamente, com um movimento ainda mais forte de repúdio ao uso da violência ou do terror por parte de indivíduos ou grupos desprovidos de qualquer consciência política.
Como manter vivo esse movimento de renascimento democrático sem deixar que ele degringole na barbárie? Não sei. Por ora, só peço a todos que nos lancemos numa corrente pelo fim da violência. Toda violência, do Estado ou de nós. Já.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário